Chapters

Aqui encontrarão pequenas histórias que vão brotando da minha mente.


Chapter 1.

   Sinto-me sozinha. Apesar de toda a correria e preocupação com o que tens de fazer, as responsabilidades, quando chegas ao fim do dia, aquele instante em que podes respirar fundo… dás-te conta que estás sozinha.
   Porque recentemente imagens de ser baleada na cabeça me assolam? É arrepiante, estúpido, mas porquê?
   Todas as obrigações que tenho na minha cabeça e me assolam são impulsionadoras deste sentimento trágico que sinto, medo de perder, ser incompetente naquilo que tenho que ser boa?
   Olho para todos os lados e vejo-me no meio de tantas sombras e onde está a minha?
   Não quero criar, não quero ser mais uma capa como todos os outros, isso acarreta uma agonia e uma frieza que não quero alimentar.



Chapter 2.

"Teia"

   Um dia comum, adormecida na rotina exasperada, caminhava sem perceber o solo que pisava por baixo de si, caminhava simplesmente, controlada por alguma parte do seu cérebro que habituado ao mesmo percurso, acabava por levá-la ao mesmo sítio.
   Acomodou-se durante breves momentos no sofá da sua sala. Os seus olhos teimavam em fechar-se, mas vinha carregada de papelada para concluir até a manhã do dia seguinte, então queixosa levantou-se para ir tomar banho.
   Tomou um duche com o pequeno rádio ligado, ouviu um ligeiro baque olhando por cima do ombro, abriu o vidro do chuveiro, só que não viu nada no corredor, mas reparou num frasco no chão.
   O espelho reflectia uma silhueta na sombra com algo resplandecente na mão, que levou até à sua cara.
- Não fujas…
   Retirou uma navalha e cortou o pulso direito, pequenas gotas de sangue caiam da lâmina espalhando-se no chão frio, enquanto o indivíduo lambia o pulso ingerindo o líquido. Caminhou para o interior da casa de banho e começou a escrever no vidro “Queres jogar a apanhada?’
   Ouviu-se um grito.
   Escancarou a porta, mas não havia lá ninguém. Viu as pequenas gotas no chão, embrulhou-se na toalha e pegou no primeiro objecto pesado que encontrou. Todo o seu corpo tremia. À luz do exterior viu a silhueta de uma pessoa na sua sala, não conseguindo identificar se era homem ou mulher.
- Que… quer? Saia da minha casa… senão…
   Virou-se acendendo uma pequena lanterna contra o seu rosto, vislumbrava-se um rosto pálido, lábios finos negros, sorridentes, de olhos brancos, uma máscara arrepiante.



Chapter 3.

"Quebrando"

   Quebro agora, ontem, constantemente, … embacio o vidro gelado para puder escrever, com o meu dedo em ferida, as saudades doentias de um momento que não se concretizou. Embriago-me nesta monotonia lenta, envelhecendo a cada segundo, morrendo…
   Quem vem para resgatar o meu cadáver?



Chapter 4.
"I'm dying to feel"

    Oiço os pingos a caírem na banheira, a água a desaparecer pelo ralo…
    Despeço-me de ti, eu de hoje, que não será o mesmo de amanhã.
    Bebo as minhas lágrimas alimentando-me da minha dor.
    O meu corpo bate na parede suada. Fragmentos de memórias arranham o meu coração, desfazendo-o, passo os dedos pela saudade arrebatada… abraço-me.
    Morde-me, lambe-me, beija-me, amarra-me, chupa-me, usa-me, ama-me, odeia-me… ao menos sentirei que existo.
    A janela abre-se fustigada pelo vento. Sinto o frio percorrer as minhas veias.


Chapter 5.

"Soluços estilhaçados"
    O sol teimava em bloquear a minha visão, continuava a aparecer sem ser bem-vindo.
    Aproximaste-te, tocaste-me, mas a saudade não apareceu. Assustada fiquei ao perceber que nada sentia. O que se passava comigo?
    Olhámo-nos perdidos.
    Apesar de sentir esta turbulência, acabo por nada sentir? Porque parece que quero forçar sentir tudo novamente? Não posso obrigar-me a sentir seja o que fôr, quero sentir espontaneamente… algo não está bem… quero, não quero, …
    Fujo indecisa de ver a realidade nua e crua, apenas num vislumbre ela parece-me tão fria. Não quero o toque frio da tristeza abater-se assim descontroladamente sobre mim, estou cansada… mas torna-se quase impossível quebrar esta estranha ligação.


Chapter 6.

“Felicidades”
    Estava eu a caminho de casa, a sentir a brisa tocar os meus cabelos, que consequentemente me batiam na cara ao de leve, como uma imagem em câmara lenta… era como me imaginava, a andar lentamente… para qual caminho?
    Vinha pensativa e triste sem saber o porquê e o como de fragmentos da minha vida que deviam unir-se formando, juntando-se a outros, um tudo, assim não me parecer…
    Os meus olhos vinham carregados de pesar e dor, queria que tudo isso transbordasse em lágrimas e gritos, até a minha garganta se rasgar e assim o meu coração puder aliviar-se por instantes.
    “Olho no espelho e que vejo eu…?”
    Ao chegar quase a casa uma senhora passa por mim, retiro os meus fones, ela era uma Jeová e estica um pequeno folheto com uma imagem e uma frase que escapou da minha vista, olho para aquilo dando um tímido sorriso, ela pergunta se eu o quero e respondo educadamente que sim, acho que a única coisa bonita que ouvi hoje, apesar de ser por educação, outro ser desconhecido desejar-me “felicidades”… deseja, mas sinto que estou muito aquém disso, foi irónico, não sei, depois do que se passou… ouvir aquilo, não sei explicar, foi estranho.´~


Chapter 7.

"Uma lágrima, um dia"
Uma lágrima, um dia, eu apaixonei-me por ti.
Um sorriso, um abraço, bastou para essa emoção florir.
Um toque, uma palavra, começou por nos unir.
O que é paixão? o que é amor?
Um calor que nos assola ao pensar, ao ver, ao tocar aquela pessoa, não é uma pessoa qualquer! É alguém que nos transmite algo de forte, faz os nossos intestinos remoerem-se cá dentro, uma sensação estranha de estranheza, mas ao mesmo tempo de familiaridade e conforto.
Sentir ciúme do que não se tem, é uma anormalidade que nos persegue, que me persegue, um ter e não ter por uma distância psicológica.
Assim...
uma lágrima, um dia, fez-me perder de ti.


Chapter 8.

"Definho"

   Eu queimo por dentro, sou obrigada a devorar as minhas labaredas para não enlouquecer!
   Obrigo-me a calar a minha paixão para não sangrar de desespero.
   A ser impossível tratar os meus devaneios, enveredo por entre os caminhos desconhecidos do meu coração, procuro não ver, nem ser vista, errar por desertos, só, para perceber que não consigo viver sem a tua presença, tal provação é necessária para entender? Oh, triste eu!
   Os meus pensamentos entrelaçam-se nos teus? Habito essa tua consciência excepcionalmente lúgubre e magnífica? Sou eu digna de viajar nos teus sonhos? Ou até nos teus pesadelos? Onde certamente me apunhalas com os teus dedos gélidos e oiço a tua rouca voz cantar uma canção de embalar, para embalar a minha vida, que esvais sem piedade desta matéria!
   Como o pó das minhas chamas, quero engolir-te, possuir tudo o que é meu. Pois se é meu... já não possuo? Não.
   O vácuo persegue-me e enfeitiça-me, mas não me entregarei! Se fores tu o vácuo, sim, entregar-me-ei; se és o meu tudo, quero que me preenchas e me arrastes  desta solidão para a luz, para a escuridão, desde que te tenha por companhia, sentir-me-ei feliz. 



Chapter 9.

"Read me"
   Sinto-me inspirada, mas não tenho força para deixar essa mesma sensação florir pela ponta da minha caneta e deixar-me levar. Me deixar levar por mares sombrios, paixões estridentes, trilhos desconhecidos, onde iria acabar? A lugar algum, por mais que escreva, nada começa e nada acaba, há sempre mais, mais do que a vista alcança, mais do que as impressões ou revelações. Mais do que simples palavras escritas. 



Chapter 10.

"Concrete Stairs"
   Abraço-te desfazendo-te em fumaça, uma névoa paira à minha volta, por mais que tente não alcanço o que quero.
   Oiço as gotas, uma a uma, caindo no aço criando um tímido eco, compondo este cenário de solidão e egoísmo perene.
   Escondo o rosto entre os meus joelhos, não choro, não gemo, não respiro.
   No topo destas escadas firmes vislumbro o laço da morte, agarro-lhe como se fosse o meu bem mais precioso. Não sinto nada.


Chapter 11.
"Lost Crimson Lust"
   Via-me no meio da escuridão, encaracolada no meu corpo desnudo e frio, sentia-me no cerne de mim mesma. Os meus pulmões esfaqueavam-se a cada gole de ar, não aguentava respirar aquele sofrimento cru. O meu corpo vibrava, convulsionava energicamente. Pára. Pára!
   Os meus lábios gelados, os meus olhos vazios de qualquer luz, a minha cabeça a latejar, o meu peito a vomitar, o meu coração a inflamar, suplico para ouvir a tua voz.
   Olho para o céu escuro e estrelado que cobre a noite sem luar, reflectindo o meu futuro.
   A chuva entoava uma melodia lúgubre e taciturna, deixando-me feliz, preenchendo a minha visão com tal fantasmagoria.
   Sentia-me perscrutada, porém não via o meu voyeurista, acompanhada apenas por sombras que escapavam ao meu olhar, temia que me aprisionassem!
   Oiço a porta ranger, não tive reacção para ver quem se aproximava, conservava-me no mesmo sítio, imperturbável. Era acolhida num abraço por uns braços vigorosos e níveos, apertavam o meu tronco impossibilitando-me de mexer. Uma lágrima escorre direita pela minha face rubra, caindo, caindo num abismo. O meu corpo ardia.


Chapter 12.

"Left Behind"
   Caminho como se não existisse mais nada, mais ninguém, apenas eu e o som dos meus passos, do meu desamparo. Caio de joelhos no chão, escondendo o meu rosto por entre as minhas mãos, tão brancas, tão limpas, tão intensamente vazias. Sinto a chuva cair sobre mim, a sua pressão aumentando aos poucos contra o meu corpo ali prostrado no meio da estrada. Choro até os meus olhos incharem, arranho o peito estalado, não consigo controlar a minha respiração. Engulo cada lágrima alimentando-me do meu sofrimento. A dor vai aumentando. Não consigo ver mais nada por entre todas aquelas gotas misturadas com as minhas. O desespero viola o meu corpo e o meu coração. O meu grito silencioso não alcança ninguém. Todos passam e não reparam. Um sentimento de repulsa asfixia-me, não sei o que fazer comigo mesma, quero tomar coragem para construir tudo novamente. Novamente e novamente. Mas não se pode construir sobre ruínas.
   Uma película a preto e branco desenrola-se diante deste ecrã vazio,... só consigo ver o meu reflexo.
   Onde estás tu? Que fazes agora? Eu penso em ti e tu pensas em mim?
   O lugar mais confortável será a minha solidão? Será o mais fácil ou acabará por me destruir?


Chapter 13.

"Break the silence"
   Sinto-me tão idiota com tanta conversa que não nos leva a lado algum. Cada vez que revejo os acontecimentos sucederem-se durante o meu sono,tenho vontade de tapar o meu rosto e deixar as lágrimas rolarem, porque no fim de contas contradizemo-nos, cuspimos atitudes para quê? Não passo de um ser humano com falhas, mas tal como tu, não passo de uma criança, tal como tu, não se deve atirar sabedoria na cara de alguém porque, afinal o que sabemos sabe sempre a pouco e é muito pouco. As minhas feridas podem ser pequenas comparadas às tuas, eu sei disso, mas não posso ser verdadeira com alguém que não me quer dizer tudo o que sente em relação a este espírito inquieto e estranho. Não precisas de atirar-me contra a parede ou salpicares-me de sarcasmo, isso magoa e só abandona este sentimento à morte.



Chapter 14.
"One Day"

   O alarme toca despertando-me para mais um dia que não queria testemunhar. A luz matinal atravessando os pequenos buracos do estore, ora quem é ela para fugir para aqui do que está do lado de fora? Se eu tenho que encarar os diferentes rostos estranhos por quem passo, o cheiro enfadonho do tabaco, o olhar da cobiça, o calor dos corpos que irão decompor-se mais cedo ou mais tarde, o lixo da vergonha espalhado em cada calçada, a imundície do mundo, ela também tem.
   As noites livres de sono atormentam-me. Conto os minutos. Uma comichão invade-me a epiderme. Lambo os meus lábios secos. Enxaguo as lágrimas que escorrem em direcção à ansiada liberdade. Os pesadelos devoraram os meus sonhos. O meu coração retraí-se e dispara.
   Fecho os olhos, o barulho à minha volta não cessa, sou um corpo estranho ali, aqui, em todo o lado, porque me sinto assim? Escuto tudo sem ouvir, vejo sem olhar, toco sem sentir, estou a distanciar-me aos poucos.
   Os meus pés estão cansados de fugir a algo que retorna ao seu devido lugar. Os meus passos estão cravados no cimento, não há vento que os arraste.
   O cansaço apodera-se, tenho sono, mas não desejo dormir.



Chapter 15

"Feeling like a cockroach"

   Saí da podridão, morrerei na podridão. Oiço os ecos das pancadas surdas contra a minha carapaça. Aquele baque tornou-se familiar. Rastejo pela minha humilhação em passos ligeiros e céleres, acaba com este jogo de uma vez por todas. Acerta-me! Acerta-me! Esmigalha o meu frágil ser! Pisa este corpo em constante decomposição. Vim do nada, para o nada retorno. Um espaço branco, fugaz... Ah! Deixaste-me escapar! Corre, corre para me apanhar. Mas, novamente, acabei por te ganhar. Sentes-te como uma barata?



Chapter 16

"Desfoque"
   Sinto cada batimento do meu coração estalar em todas as partes do meu corpo. A minha cabeça dói. As palavras à minha frente, primeiro, nítidas, se vão desfocando lentamente até formarem borrões. Esqueci-me. Pairo sobre mim, sem me querer tocar, cheirar, ver, penetrar, pois é um vazio, um esvaziar de nada, não há calor, nem frio, é quase desértico, seco e só. Não há luz, nem escuridão. Não há emoção, nem paixão. Esqueci-me. As lágrimas secam, cada dia é apenas mais um dia. Talvez algo desabroche, talvez tudo, talvez nada.



Chapter 17.

"Mud"

I looked into his eyes and I saw nothing... That wasn't what I dreamed of, it tasted nothing, I felt empty, my brain just came and... and the rest? There were so much left out... Where am I? What am I? Nothing excite me, anything does it seems... Am I shutting down? Barely felt the little rain drops on my smudged face but I sensed one, that fell on my cold nose... so little and fragile almost imperceptible. I'm not me anymore but not completely gone or forgotten, I have glimpses of my last phantom of me, so distant yet always close.


Chapter 18.
"Garasu no ashita"

   A minha garganta seca. Apertasse-me, como se sentisse os teus dedos camuflados com a tua epiderme macia, em torno do meu pescoço descoberto.
   Uma boneca de panos, a tua mais recente aquisição; modificaste-a, aperaltaste-a a teu bel prazer, fomentando o teu júbilo, fermentando a tua excitação, garantindo-lhe as características de anjo barroco e mulher fatal, com o fim de obteres o regozijo lascivo do erotismo virginal.
   Nesta casa de vidro, tudo é frágil. Do vidro escorregam todas as memórias volúveis, mas sem escape, tornam sempre a mim, confinada neste recanto esquecido de opacidade transparente.
   Murmuro para os vultos lá fora, não aponto, não tenho forças para os agarrar à distância, com as minhas mãos inacabadas.


Chapter 19.

"VI sense"

Procuro palavras, gestos, cheiros, paladares, sons que me arremessem das mesmas palavras, gestos, cheiros, paladares e sons que me perseguem todos os dias, todas as horas. Mordam as palavras, calem os gestos, saboreiem os odores, atentem na simplicidade do profundo, na obviedade rotineira, que nos escapa devido à nossa ignorância arrogante.
Olhamos de soslaio, por cima do ombro, receosos de que o receio se pendure ao nosso pescoço, enforcando-nos.
O que de facto há de valor nesta selva? O ar? A flora? Os nossos semelhantes? As pedras brilhantes que a terra escarra? A vida ou a morte?
Não entendo a dormência desesperada, conduze-os à demência, desconheces o que se passa lá fora? Isto começa a apanhar-nos cá dentro!