As esperanças seduzem-nos com o seu brilho inócuo, ignorante. Deito-me ao lado da solidão, cada vez mais torna-se difícil adormecer… deveria melhorar com o tempo? Não! As pessoas fartam-se de cuspir falsas verdades, um dia… um dia… esse dia pode morrer, pois eu morro antes dele chegar…
Vejo toda a gente a morrer, na mentira, na inveja, na falsidade, no cinismo, no preconceito, tudo isso arrasta-nos para o esgoto da humanidade. Encarcera-nos nas masmorras das nossas sombras, da nossa demência adormecida.
Esta paisagem chuvosa e trovejante, que se desenrola à minha frente acalma o meu espírito, lava toda a má energia que me circunda. O sol pode tombar e a lua reinar, prometendo-nos trevas eternas, sob o seu lúgubre brilho déspota. Eu sorrirei perante ele e entregar-me-ei à sua ditadura.
Nada mais me resta senão os meus próprios restos, que esvoaçam por vários caminhos diferentes. Este vazio preenche as minhas entranhas como um cancro, espalha-se por todo o meu corpo, desfazendo o que eu fui.
Toda esta maquilhagem moral está na moda, podem cobrir-se dela, mas eu só uso maquilhagem imoral, a que uso na minha cara quase todos os dias, para esconder a minha tristeza perante esta desgraça aberrante.
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